02/03/2009
Senador Adelmir Santana
Fonte: Jornal de Brasília
Passado o Carnaval, volta ao foco a crise econômica mundial. Todos nós vemos os efeitos que já atingem os setores de commodities, de siderurgia, mineração, automotivo (parte das exportações), calçados, têxteis, carnes (segmento voltado para exportação) e aviação.
O caso mais recente é o da Embraer, empresa que, mesmo questionada diretamente pelo presidente Lula, assegurou que não irá recontratar os 4,2 mil funcionários demitidos. A crise é grave e incontestável.
O quadro preocupante foi diagnosticado pela Fundação Getúlio Vargas e pelo Instituto de Pesquisa Econômico da Universidade de Munique, mostrando que o Brasil já entrou em ambiente econômico de recessão. Apresentados esses dados, entramos na questão central a ser expressa neste artigo: a falta de crédito para os micro e pequenos empresários, e o custo artificial e perverso desse dinheiro.
Relatório da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac) demonstra que a taxa de juros para empréstimo pessoal passou de 5,6% a.m. para 5,7% a.m. em 2008. A taxa média para os consumidores elevou-se para 7,57%. O CDC pulou de 3,05% a.m. para 3,14% a.m. e o juro do comércio foi de 6,3% a.m. para 6,37% a.m.
Tudo isso depois de tanta promessa do governo de que haveria facilidades nessa área, inclusive tendo liberado R$ 100 bilhões dos depósitos compulsórios, na esperança de que os bancos pudessem flexibilizar suas operações. O que vemos é uma discussão sem sucesso sobre spreads e exigências exageradas, com pedidos de garantias reais de até 130% a empresários de todos os portes.
Há sempre a esperança de que o Banco Central reduza em março a taxa Selic, ainda situada na faixa dos 12,75%, mas esse esforço parece muito pouco. Se chegarmos ao fim deste ano com a taxa Selic na faixa dos 10%, ainda estaremos praticando os juros mais altos do mundo, provavelmente.
Mais de 90% das empresas brasileiras estão na faixa das micro e pequenas. Apoiá-las deve ser uma preocupação crescente da nação. No início deste mês, quando tomei posse como presidente do Conselho Nacional do Sebrae, tive oportunidade de fazer discurso mostrando essa urgência ao presidente Lula. Em resposta, ele mostrou-se sensibilizado e lamentou que grande parte dos recursos disponíveis no BNDES tenham sido destinados prioritariamente para gigantes da economia brasileira, como Vale e Petrobras.
Torna-se necessário que o governo quebre a resistência das corporações bancárias e abra crédito facilitado, desburocratizado, barato e amplo para as micro e pequenas empresas. O Sebrae pode ser instrumento ágil e disseminado para levar informação a esses empresários, desde que haja realmente uma política definida de apoio à economia do dia a dia, real, humana e brasileira.
Adelmir Santana é senador pelo Democratas-DF
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