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Santos Dumont, sim!

07/03/2009


Fonte: O Globo

Os aeroportos existem para servir aos passageiros, ou os passageiros devem servir aos aeroportos? Eis a questão do Aeroporto Santos Dumont.

A lógica perversa de que se deve fechá-lo à expansão natural - recebe hoje 1,2 milhão de passageiros quando tem capacidade para 8 milhões e opera com menos de 50% da sua capacidade de pousos e decolagens em segurança - para forçar o aumento de passageiros no Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim denuncia arrogância e autoritarismo.

Trata-se de uma demonstração ideológica de desprezo ao conceito essencial do serviço público nas sociedades democráticas, e que é atender e facilitar a vida dos cidadãos.

O Aeroporto Santos Dumont deve ser aberto, sim, como decidiu a Anac, para os voos permitidos por sua disponibilidade, com as limitações de tipos e tamanhos de aeronaves e horários de funcionamento.

Por quê? Ora, porque é central, facilita a vida das pessoas, principalmente para quem vem ao Rio a negócio, ou simplesmente passear, proveniente das cidades próximas. Depois, é importante para a revitalização do Centro do Rio, iniciada na década de 90, e que não é uma cidade cenográfica, mas um organismo vivo, cuja reanimação depende em grande parte da operação do Santos Dumont.

Sem falar no investimento de mais de R$ 300 milhões que o aeroporto recebeu na preparação do Rio para os Jogos Pan-Americanos de 2008.

Só burocratas masoquistas podem considerar tais aspectos - conforto e facilidades para os usuários - como desprezíveis. Portanto, novamente sim.

O fato de o Santos Dumont apresentar comodidades é relevante e deve ser usado em primeiro lugar na defesa da sua abertura além da ponte aérea Rio-São Paulo.

Mas, e a questão da aviação regional? Os voos de curta duração para cidades do Estado do Rio e todo o Sudeste são importantes para a competitividade econômica do Rio, que fica inferiorizado com relação a São Paulo, já que Congonhas não os rejeita.

A estratégia que condiciona a vitalização do Galeão à limitação do uso do Santos Dumont é equivocada.

Além de autoritária e punitiva, também é irrealista, pois mistura alhos com bugalhos. A alimentação dos voos internacionais do Galeão não será prejudicada. Assim como em São Paulo, com Congonhas e Cumbica; Nova York, com o La Guardia e o Aeroporto Kennedy; ou em Paris, onde coexistem Orly e o Aeroporto Charles de Gaulle. O Santos Dumont atende a um nicho específico do transporte aéreo de passageiros que existe no mundo inteiro.

O Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim é necessário, decisivo, não apenas para o Rio. É importantíssimo para o Brasil, uma vez que é um dos principais portais turísticos de referência mundial. Mas só cumprirá seu papel se, além de reconstruído, atualizado, modernizado, tornado confortável e funcional, praticar uma agressiva política de satisfação dos passageiros, para que prefiram embarcar para o exterior do Rio. Ou seja, o concorrente do Galeão não é o Santos Dumont, mas Cumbica.

E tem mais. O esforço para dar vida ao Galeão não prescinde do envolvimento dos poderes públicos na guerrinha de comadres entre companhias aéreas - camuflagem para a dura disputa de mercado e defesa de privilégios.

Muito menos com bravatas ilegais e ilegítimas caracterizadas pela ameaça - eufemismo para não falar de chantagem, que é a tipificação adequada para tais declarações - de aumentar impostos ou suspender benefícios fiscais de tal forma que a opção do Aeroporto Santos Dumont torne-se inviável aos usuários que desejem desfrutar a comodidade da sua localização.

RODRIGO MAIA é deputado federal (DEM-RJ).

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