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A cada dia a mulher escreve sua própria história

08/03/2009


Fonte: Assessoria de imprensa

Como disse a escritora Simone Beauvoir: “Não se nasce mulher, torna-se mulher.” A cada dia e a cada tempo a mulher escreve a sua própria história de lutas, de conquistas e de realizações. Mesmo com as injustiças que ainda vitimam as mulheres, não podemos deixar de reconhecer e comemorar os avanços.

Em 08 de Março, “Dia Internacional da Mulher”, refletimos sobre as condições de vida da mulher, as desigualdades de gênero e as contribuições que no decorrer dos tempos vêm fazendo com que a outra realidade se altere.

Os próprios acontecimentos históricos impuseram para a mulher uma nova postura diante das necessidades de sobrevivência. Durante as duas últimas guerras mundiais, os homens tiveram que trocar seus postos de trabalho por campos de batalha, fazendo com que as mulheres passassem a trabalhar nas fábricas, nos comércios e prestarem serviços. Com o final das guerras, com a força de trabalho masculina evidentemente avariada, quando muitos morreram ou ficaram mutilados, o que era um trabalho temporário para as mulheres tornou-se permanente.

A industrialização, a consolidação do sistema capitalista e o avanço da tecnologia criaram um mercado onde mulheres e homens compartilham o setor produtivo, a participação ativa na sociedade e a responsabilidade de geração de bens e riquezas.

Mas até hoje as desigualdades entre os gêneros no mercado de trabalho são gritantes. Dos cargos executivos das 300 maiores empresas brasileiras no ano de 2000, segundo a Gazeta Mercantil, apenas 13% eram ocupados por mulheres. As mulheres recebem em média o correspondente a 71% dos salários pagos aos homens, e mesmo as mulheres representando 41% da força de trabalho no Brasil, apenas 27% têm cargo de gerência. É pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separa do homem.

O descompasso da participação dos homens e mulheres na construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna se reflete claramente na política. A presença da mulher nas instâncias de poder é desproporcional ao seu protagonismo na sociedade brasileira. As mulheres conquistaram o direito a votar e serem votadas no Brasil em 1932. Visando aumentar a representação política das mulheres desde 1990, a lei obriga que 30% das candidaturas a cargo eletivos sejam ocupadas pelo gênero menos representativo em uma chapa, posto que acaba ficando com as mulheres. Porém, na Câmara dos Deputados onde atuo, dos 513 parlamentares, apenas 44 são mulheres, não chegando a 8%.

Agora, em 2008, somente 7,52% dos prefeitos e 12,65% dos vereadores eleitos são mulheres. Para mudar esse quadro, é necessário uma reforma política e não apenas uma lei de cota. O financiamento público de campanha será um grande avanço para que as mulheres possam concorrer a cargos eletivos em melhores condições.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2008 incluiu entre as prioridades na elaboração e execução dos Orçamentos Fiscal e de Seguridade Social de 2009 diretrizes de redução das desigualdades de gênero, raça e etnia. Tomara que não fique apenas no papel, mas que realmente promova mudanças que melhorem as condições de vida dos mais oprimidos, que se avance rumo à justiça social e a uma sociedade mais fraterna.

Que as Leis como a Lei Maria da Penha e as ações como a criação da delegacia da mulher, em 1980, possam combater a violência doméstica e todas as formas de violência para que Eloás, Dorothys, Isabelas e tantas outras não morram ou sejam vitimadas ou injustiçadas.

Que a luta de tantas mulheres, como Berta Lutz que dedicou sua vida em defesa dos direitos femininos, possam fazer com que a situação da mulher melhore rapidamente e não nesse ritmo lento que vem reproduzindo tantas injustiças há tanto tempo.

Há sim o que se comemorar no dia 08 de março, mas estamos ainda muito longe de uma sociedade em que homens e mulheres possam participar paritariamente e serem igualmente felizes, cumprindo os designos de Deus nesse mundo.

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