15/03/2009
Fonte: Jornal do Brasil

O MST sempre adotou a violência e sempre esteve na contramão do processo democrático, mas há duas décadas - quando os modelos revolucionários marxistaleninistas ainda vestiam a esperança de muitos e o país saía da repressão do regime militar - podia se apresentar como opção dos setores radicais autodenominados "movimentos sociais".
Até a esquerda católica abrigava-o, temerariamente, como se ele houvesse renegado sua amoralidade fundamental: os fins justificam os meios.
Nem se deve esquecer que setores importantes da burguesia, ditos progressistas, consideravam o MST consequência de uma instituição que exorcizavam como anticapitalista, o latifúndio improdutivo, considerado abuso do direito de propriedade.
Isto é um registro histórico, impessoal, datado, à prova de refutação, pois simplesmente descreve uma situação documentada.
Hoje, destruída a utopia da reforma agrária - um monumental desastre que apenas produz miséria em 87 milhões de hectares de terras já distribuídas e onde se registram índices de pobreza, medidos objetivamente em IDHs, piores que as das mais degradadas favelas urbanas - o MST perdeu sua razão de ser. As circunstâncias econômicas esvaziaram suas bandeiras.
Não é por acaso que já não denunciam latifúndios, mas invadem fazendas produtivas: a agricultura empresarial, antes acusada de reacionária e tacanha, assumiu a vanguarda do desenvolvimento nacional.
Também perdeu substância ideológica. Finalmente o estado comunista morreu, foi sepultado e não tem chance de ressuscitar.
Reduzido ao que refletem os jornais de cada dia: uma organização criminosa que mata, saqueia e desvia recursos públicos, o MST não quer criar uma classe rural de pequenos produtores, mas fazer agitação e tomar o poder através de um golpe de estado. Tanto que insiste em desafiar o Estado Democrático de Direito, a grande conquista, aparentemente irreversível, do povo brasileiro.
Na verdade, os líderes do MST usam como massa de manobra brasileiros desempregados, desesperançados e desprotegidos socialmente pelo Estado que, por este motivo, aderem a grupos que fomentam e praticam a ilegalidade. Distanciamse, assim, da verdadeira Iriny Lopes DEPUTADA FEDERAL PELO PT-ES luta social e democrática permitida e apoiada pelo Estado de Direito.
O MST tornou-se um caso de lumpemproletariado, classificação da sociologia marxista, como ensina o Aurélio. Lumpén, para os íntimos, ou seja, os esquerdistas que sempre a usaram para designar os marginais em que se transformam os trabalhadores sem qualificação, miseráveis e sem consciência política que, em vez de expressar seu inconformismo agregandose a ações consequentes (como o partido comunista considerava modelo único e universal), entregam-se à degradação social e humana, constituindose a matéria-prima ideal dos políticos e partidos populistas, base do próprio nazifascismo.
No caso do MST, a metamorfose não apenas é evidente, mas foi assumida em desespero por seu núcleo dirigente que, tendo perdido a aposta da transformação dos assentamentos da reforma agrária em base para a grande revolução política marxista que tomaria o poder no Brasil, adotou o recrutamento desesperado do lúmpen para formar a massa de manobra das suas manifestações.
O MST desmoralizou até seu próprio modelo revolucionário que consistia em financiar-se com recursos públicos, como se fossem apropriações e, arrogantemente, existir (até frequentar a Presidência da República e por seu boné na cabeça do presidente) sem personalidade jurídica legal para desmoralizar as instituições nacionais.
Apanhado, denunciado, investigado, exorcizado por todos depois da invasão à Câmara dos Deputados em 2006 e tendo agora de assumir os quatro assassinatos da Chacina de Pernambuco - "matamos", admitiu um dos seus líderes nacionais, Jaime Amorim - o MST desceu ao que realmente é: o lúmpen.
Kátia Abreu é presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)
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