27/04/2009
Fonte: Diário de Petrópolis
A cúpula da Polícia do Estado do Rio mudou! – anunciaram os jornais na semana do feriado de Tiradentes. Os novos titulares já foram empossados; criaram até uma nova Divisão de Homicídios; houve discursos; publicaram-se declarações e acirrou-se a polêmica sobre o Portal da segurança na internet. O objetivo era superar uma crise, como sempre envolvendo as diferenças entre as polícias civil e militar. Mas, o que aconteceu de novo com a Segurança do Estado do Rio? Nada de novo, absolutamente nada. Até mesmo os casos, exemplos e motivações das ditas mudanças referem-se apenas a problemas da Capital, conforme a absurda teimosia do Governador de esquecer o interior e fixar-se na cidade do Rio. Aliás, a piada de que "o Rio tem dois prefeitos", o propriamente dito e o governador, agora é afirmação corrente da qual não se deve rir, mas lamentar.
A concentração das preocupações da Secretaria de Segurança Pública exclusivamente na cidade do Rio – e, quando muito, na região metropolitana – como acontece atualmente é um erro elementar. Compromete não apenas a eficiência da repressão no alvo escolhido (pois não corta as rotas de abastecimento de armas e tóxicos) como contamina outras regiões do Estado, fora do grande mercado onde o crime organizado opera, lucra e desafia a paz dos cidadãos de bem.
Falo de Segurança Pública, mas também podia citar saúde, educação, estradas, das verbas federais do PAC. Apesar da propaganda de que o Governo Federal iria privilegiar o Estado Rio, veja-se o caso de Petrópolis. A cidade serra está praticamente excluída do programa. O único projeto do PAC que lhe é destinado refere-se à construção de habitações para famílias de baixa renda. No entanto, nada foi efetivamente gasto com esse projeto. O governo empenhou em 2009, por exemplo, R$ 360 mil e não aplicou esse dinheiro. Ficou na conversa, no papel e na propaganda. Agora, para servir de palanque ao Presidente e permitir que o Governador lhe ofereça manifestações populares "espontâneas", onde se localizam as obras que o PAC realiza no Estado? As manifestações demagógicas se realizam todas na cidade do Rio, de preferência com algum lugar que permita fotos turísticas da bela paisagem carioca.
O pior de tudo porém, é que nem mesmo a cidade do Rio aproveita essa concentração, pois o objetivo não é resolver problemas, mas a lei do menor esforço.
Aliás, a crise da Secretaria de Segurança Civil que provocou o troca-troca de cargos poderia ter sido resolvida com uma simples demonstração de liderança (sem a qual nenhuma autoridade se afirma) do Governador e seu Secretário, que simplesmente devia ter o respeito e o acatamento dos subordinados, convencendo-os a realizar seus projetos administrativos, pois para isso têm não apenas mandato, mas todo respaldo. A não ser – e talvez esse seja o caso, pois situações idênticas pipocam todos os dias no Estado do Rio – que as ordens e projetos sejam tão insensatos que ninguém se arrisca a executá-los e preferem perder seus cargos. Mudar para que tudo continue o mesmo é uma velha lição de políticos italianos do século XIX. um truque que já não dá certo, pois perdeu seu único atrativo, o segredo para enganar os trouxas, coisa que o povo do Estado do Rio não é. Esperemos 2010.
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