Fonte: com Jornal do Brasil e Gazeta Mercantil
O presidente nacional do partido Democratas, Rodrigo Maia, deputado federal pelo Rio, não se furta a questionar a arrecadação do governo com a CPMF. Isso não é novidade. Mas agora o parlamentar afirma que a relatora da PEC na CCJ do Senado, senadora Kátia Abreu (Democratas-TO), vai provar, com estudo técnico do partido, que a União não precisa da arrecadação. Para Maia, a CPMF tem o papel de cobrir o ônus da burocracia de um Estado inchado criado por Lula. Apesar da grita, a oposição continua dividida no Senado, onde os partidos adversários do governo têm a chance de derrubar a proposta. Maia prefere, porém, não criar atrito com os tucanos, tradicionais aliados, cuja bancada ainda está indecisa devido à pressão de dois governadores do PSDB, potenciais candidatos à sucessão de Lula e que, já demonstraram, também não abririam mão de R$ 40 bilhões da CPMF. (L.M.)
O DEM fechou questão contra a CPMF, ao contrário do PSDB, que ainda está indeciso. Esse cenário não favorece o governo?
- Os partidos são diferentes e a forma de atuação não necessariamente tem que ser igual, e nem por isso tem que gerar qualquer tipo de problema no relacionamento. Acho que cada um sabe como atua, pelas suas questões programáticas, pelas questões regionais. Cada um tem que respeitar a decisão do outro. De nossa parte não há problema. A minha impressão é que os senadores do PSDB hoje são muito mais contra a CPMF do que há meses. Caminharam para uma posição próxima à nossa. Se vão fechar questão ou não é uma decisão deles.
Não era hora de a oposição se unir e o DEM, tradicional aliado, cobrar isso dos tucanos?
- O nosso projeto de poder para o futuro é construir nossas próprias candidaturas, inclusive para a Presidência. Eles têm uma estratégia para chegar ao governo em 2010, nós temos outra. Certamente estaremos juntos num segundo turno. O PSDB por ter uma força grande, em Minas e São Paulo, sempre coloca os governadores numa posição de influência maior sobre suas bancadas. E os governadores têm sempre uma posição menos partidária e mais estadual, do poder executivo.
Então a CPMF no Senado virou um caso que remete a 2010, pelo fato de os governadores tucanos serem potenciais candidatos à Presidência?
- Se a nossa bancada entendesse que a oposição não está no caminho certo, nós não teríamos tomado a decisão que tomamos. Acreditamos que, para o Brasil, para o nosso posicionamento, marcar posição, o fim da CPMF é importante.
A posição do PSDB não fechar questão não deixa a oposição dividida no Congresso num momento crucial?
- Eu sinto o PSDB muito contra a CPMF. Agora, não posso saber se vão fechar questão ou votar contra.
E se o DEM estivesse na posição do PSDB, com cinco governadores, e dois deles com a possibilidade de virarem presidente da República. Vocês não votariam a favor da CPMF, que Lula diz ser crucial para as contas da União?
- Não acho que os R$ 40 bilhões sejam imprescindíveis para o governo. O Brasil hoje vive uma situação boa, devido à economia mundial, que dá muita condição para o governo - fazendo um ajuste de suas contas, e não fazendo despesas - abrir mão da CPMF. Essa é a posição do DEM, independentemente do número de governadores que tivermos.
O senhor acredita que a CPMF passa no Senado?
- Hoje eles vão ter dificuldade de aprová-la, muita dificuldade. Na minha conta, estamos aí por dois, ou três votos, e o governo precisa de cinco votos. Não sei onde vai arrumar.
O DEM tem a relatoria da PEC da CPMF na Comissão de Constituição e Justiça. Como tem trabalhado no contato com a relatora, senador Kátia Abreu?
- Conversei com ela hoje. Tem trabalhado no seu parecer, mas não toquei nesse assunto. Ela vai seguir a linha do partido.
Em que o DEM vai se embasar no parecer para pedir o fim da contribuição?
- É uma questão que cabe à senadora. O parecer é técnico e terá a assessoria do partido para isso.
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